Um webinar promovido pela Levee, no dia 22 de abril, reuniu quatro especialistas em Gestão de Pessoas e Recursos Humanos para debater a evolução da mulher no mercado de trabalho e como as empresas podem promover a diversidade e a inclusão no mundo corporativo. O encontro “Quando você fortalece uma mulher, fortalece o mundo” mostrou que ainda existem muitos desafios, mas que está nas mãos das lideranças promover a mudança tão necessária.

Participaram do webinar a professora da FGV e psicóloga Maria José Tonelli, a economista e mentora do CEOLabs Lia C. Alicke Azevedo, a head de Seleção do Assaí Atacadista Rosangela Fernandez Lyf, e a advisor da Levee, Márcia Costa. Os temas abordados foram: a contextualização da Mulher no mercado de trabalho sob o cenário de pandemia; diversidade e negócios; ESG; principais tendências para 2021; e, o papel das lideranças: como o RH integra diversidade na cultura da empresa? 

A mediação foi feita por Ivana Mozetic, VP de Marketing e Customer Success Latam da Levee. O vídeo completo está disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=PuvS96FeuD4

Confira alguns destaques.

SOBREVIVÊNCIA DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO

A psicóloga Maria José Tonelli foi a primeira participante a falar sobre a trajetória da mulher no mercado de trabalho. Para ela, a luta feminina pela equidade dentro das empresas acontece há mais de um século, mas só a partir das décadas de 1950 e 1960 que a entrada da mulher começou de forma mais homogênea.

Isso porque, segundo ela, a invenção da pílula anticoncepcional permitiu que as mulheres estivessem mais presentes no mercado de trabalho. “Ter filhos é uma questão central quando se trata da inserção da mulher”, diz.

Para ela, entrar no mercado de trabalho é uma questão de sobrevivência da família, já que gera o empoderamento econômico – importante, inclusive, para mitigar a violência no ambiente doméstico. “Quando ganham, as mulheres investem na educação dos filhos e passam a ter a situação da família e da comunidade mais próxima mais confortável”, afirmou.

A psicóloga destacou, ainda, que no Brasil, 50% dos lares são chefiados por mulheres, e que em momentos de recessão, como o ocasionado pela pandemia da COVID-19, as mulheres são as mais prejudicadas no que diz respeito à entrada no mercado de trabalho. “Houve um aumento muito grande de desemprego entre as mulheres e com consequências dramáticas. As mulheres perderam o emprego e isso é ainda mais forte quando fazemos uma intersecção entre ser mulher e ser negra. As mulheres negras e jovens acabam sofrendo mais o impacto”.

DIVERSIDADE LUCRATIVA

Para a economista Lia Alicke Azevedo, investir em diversidade pode se tornar lucrativo para as empresas gerando, inclusive, melhores indicadores e maior acesso ao capital. “Os investidores internacionais têm pressionado por diversidade, especialmente, por mais mulheres em cargos de liderança nos conselhos”.

A tendência, de acordo com a economista, é que os investidores aumentem o nível de exigência, inclusive, em relação à equidade salarial. “Olhar a diversidade como um ativo não é uma obrigação social. As mulheres são maioria da população, o poder de decisão de compra está nas mãos das mulheres”.

TECNOLOGIA PROMOVE A DIVERSIDADE

Márcia Costa, advisor da Levee, lembrou que a inserção das mulheres em cargos de liderança é um desafio vivido pelo departamento de Recursos Humanos. “Algumas informações de mercado mostram que a entrada das mulheres em cargo gerencial é de cerca de 40%. Em cargos de diretoria chega a 20% – perdemos metade desse público no funil. A presença do RH é fundamental para aumentar a possibilidade da diversidade”, afirmou.

Para a executiva, a tecnologia colabora com esse cenário, na medida que torna o processo mais democrático e justo. Ela contou a experiência da C&A, onde foi vice-presidente de Recursos Humanos, e que tinha como desafio tornar o perfil do atendente mais próximo do cliente, promovendo uma maior representatividade no atendimento. “Nós temos nossos vieses e muitas vezes, eles não nos possibilitam oferecer aos clientes diversidade no atendimento”.

Sobre a questão da liderança feminina, a advisor destacou que, hoje, a liderança das mulheres é vista como uma questão de comando e não de influência, mas que é importante entender a capacidade feminina de trabalhar em time, de forma colaborativa e cooperativa, sendo essencial que os gestores de Recursos Humanos criem processos, políticas e treinamentos que tornem possível a inserção dessa população.

PROJETO EM DIVERSIDADE DE GÊNERO

A head de Seleção Rosangela Fernandez Lyf, contou a experiência do grupo Assaí, que trabalha a questão de diversidade com um projeto de longo prazo. “A consistência e perpetuidade são importantes, já que cada pequena vitória conta. Isso faz com que vá melhorando o resultado”.

Ela destacou que é importante pensar sobre o “ser mulher”, já que muitas desistem da carreira por não receberem apoio e não conseguirem desempenhar suas funções devido à dupla jornada. Além disso, há a questão da violência doméstica, que impacta as mulheres, principalmente as negras.

A executiva afirmou que é importante que a pauta das mulheres seja apresentada para os gestores, principalmente homens que estão em posição de liderança, lembrando que a porta de entrada das seleções de pessoas é o time de atratividade e seleção. “Time precisa ter na ponta da língua as conversas necessárias com os gestores. A tecnologia vai ajudar muito porque vai trazer todos os tipos de perfis de candidatos para nós, mas depois disso, vem os gestores e eles precisam ser provocados”.

Rosângela afirmou que a diversidade é uma construção conjunta, que extrapola a fronteira do RH, mas que se faz envolvendo áreas de Marketing, Comercial, Relacionamento, entre outras. “É importante para a cultura da empresa provocar as demais áreas para que olhem para a diversidade, não deixando que apenas o RH trabalhe a favor do tema. É uma construção”, disse.

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