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Embora o termo Comunicação Não Violenta tenha sido cunhado no início da década de 1960, o tema começou a ganhar mais notoriedade nos últimos anos. Isso porque o mundo vem passando por grandes transformações sociais e a empatia se tornou um requisito fundamental para as relações pessoais e profissionais.

Com a Covid-19, pessoas de todo o mundo sofreram as consequências da pandemia. Todos, em alguma medida, tiveram os níveis de ansiedade elevados, seja pelo medo do desconhecido, pela perda de alguém próximo ou, até mesmo, por ser acometido pela doença.

Nesse contexto, os sentimentos podem ter se tornado confusos e a rotina diária sofreu alterações importantes e nunca as interações sociais estiveram tão sensíveis. Saber se colocar no lugar do outro se tornou fundamental, afinal, nunca se sabe o que o outro está passando.

Uma pesquisa realizada pela ABERJE (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) no final de 2020, apontou que a falta de empatia é uma questão que precisa ser melhor resolvida no ambiente corporativo.

Dentre os 327 profissionais entrevistados sobre o estado emocional em relação ao ambiente corporativo, 52% disseram que se sentem ansiosos e 47% se disseram cansados, além de outros sentimentos como apreensão, desânimo e frustração. “Um fator que pode explicar esses resultados é a falta de empatia, que aparece na pesquisa como prática importante para 89% dos colaboradores. Quando as necessidades são atendidas, os sentimentos que surgem são despreocupação, segurança, calma, realização e satisfação, ou seja, os menos mencionados na pesquisa”, aponta o relatório.

E o que a Comunicação Não Violenta tem a ver com isso? Tudo! Isso porque uma comunicação efetiva é condição essencial o funcionamento de toda empresa e é imprescindível para gerar satisfação e engajamento entre os colaboradores.

O que é a comunicação não violenta

Esse conceito foi criado pelo psicólogo Marshall Rosenberg. Para ele, estratégias violentas são aprendidas, ensinadas e apoiadas pela cultura dominante, e toda agressão é consequência de uma necessidade não atendida.

“Embora possamos não considerar “violenta” a maneira de falarmos, nossas palavras, não raro, induzem à mágoa e à dor, seja para os outros, seja para nós mesmos”, diz o psicólogo em seu livro Comunicação Não Violenta – Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais.

Nesse sentido, uma comunicação não violenta é capaz de minimizar conflitos, com base em quatro importantes pilares que são a observação dos acontecimentos, o reconhecimento das necessidades geradas a partir disso, a compreensão dos sentimentos envolvidos e, por fim, uma comunicação clara do que é necessário ou do que se deseja fazer a partir do acontecimento inicial.

“A CNV nos ajuda a reformular a maneira pela qual nos expressamos e ouvimos os outros. Nossas palavras, em vez de serem reações repetitivas e automáticas, tornam-se respostas conscientes, firmemente baseadas na consciência do que estamos percebendo, sentindo e desejando”, explica.

A aplicação da Comunicação Não Violenta no dia a dia estimula a colaboração das pessoas entre si e incentiva que as pessoas conheçam mais a si mesmas, entendam aquilo que sentem e a forma com que reagem aos acontecimentos. O objetivo principal é gerar conexão, fazendo com que as pessoas sejam capazes de se expressar de forma mais clara.

“Somos levados a nos expressar com honestidade e clareza, ao mesmo tempo que damos aos outros uma atenção respeitosa e empática. Em toda troca, acabamos escutando nossas necessidades mais profundas e as dos outros”.

O psicólogo enfatiza que, ao utilizar a CNV, substituímos velhos padrões de defesa, recuo ou ataque de julgamentos e críticas e percebemos a nós e aos outros por um novo enfoque, minimizando a resistência, a postura defensiva e as reações violentas, promovendo o respeito, a atenção e a empatia, gerando o desejo mútuo de nos entregarmos de coração.

A CNV contribuiu para o mundo corporativo

Empatia é uma das Soft skills mais desejadas do mundo corporativo hoje. Marshal Rosenberg esclarece que “nossa capacidade de oferecer empatia pode nos permitir continuar vulneráveis, desarmar situações de violência em potencial, ajudar a ouvir a palavra não sem tomá-la como rejeição, reviver uma conversa sem vida e até a escutar os sentimentos e necessidades expressos através do silêncio”.

A pesquisa da The School of Live, em parceria com a consultoria Robert Half, sobre a Inteligência Emocional no Ambiente de Trabalho, revelou que engajamento e produtividade são afetados pelas questões emocionais, uma vez que as emoções interferem sobremaneira nos resultados gerados pelos colaboradores de uma empresa e, inclusive, são cruciais para a retenção de talentos.

As empresas precisam estar atentas para isso. Diana Gabanyi e Jackie de Botton, diretoras da The School of Life, afirmaram que não se trata de algo simples ou intuitivo ser uma organização emocionalmente inteligente, mas sim de uma arte. Para isso, é necessária uma comunicação eficaz, o entendimento da mente e dos pontos cegos, o domínio das emoções e, claro, se colocar no lugar do outro.

Já Maria Sartori, diretora associada da Robert Half, enfatiza que “proporcionar um ambiente de trabalho agradável para manter as pessoas motivadas, por meio do exercício diário da empatia e da transparência e da manutenção de boas relações dentro da equipe, deve estar entre as prioridades das empresas para os próximos anos”.

Nesse sentido, a Comunicação Não Violenta acaba por se tornar uma arma poderosa para a transformação da cultura, resolução de conflitos e manutenção do engajamento.  Como está a comunicação na sua empresa?

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