O mundo se tornou cinza, perdeu suas cores. O desânimo tomou conta da maioria das ações cotidianas, os sorrisos são forçados e totalmente sociais. A sensação de incapacidade permanece constante na vida profissional, o pensamento incessante é: – O que está acontecendo comigo?

Sintomas como esses podem ser comuns no dia a dia corrido que a maioria dos adultos leva. Milhões de tarefas no trabalho, família, amigos, saúde, preocupações que se acumulam diariamente e geram um cansaço físico e mental. Porém, quando a fadiga se torna esgotamento deve-se ficar atento, pois as chances do indivíduo ter desenvolvido a síndrome de Burnout são altas.

Recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu a Síndrome de Burnout em sua Classificação Internacional de Doenças (CID-11), apresentando-a como uma síndrome originária do estresse crônico no local de trabalho, uma doença ocupacional. A enfermidade pode acarretar sensação de exaustão, sentimentos negativos sobre o trabalho, redução da eficácia profissional, além dos sintomas físicos, como dores de cabeça frequentes, pressão alta, dores musculares, taquicardia, problemas gastrointestinais, alterações no apetite e no humor, entre outros. 

Uma das maiores dificuldades para o tratamento da síndrome é o próprio paciente, que por falta de aceitação ou não identificação dos sintomas, acaba se perdendo dentro das dificuldades apresentadas pela doença e tornando o quadro ainda mais grave. O que justifica o afastamento médico do colaborador e resultados ainda mais amplos, no que diz respeito aos outros âmbitos da vida desse profissional. 

DADOS DA SÍNDROME DE BURNOUT

Se o dia a dia corrido já afetava a saúde mental dos trabalhadores, com a pandemia isso se agravou. Dados da Fundação Oswaldo Crus (Fiocruz) mostraram que a pandemia e o isolamento social afetaram a saúde mental dos trabalhadores, em especial àqueles ligados aos serviços essenciais. A pesquisa, que ouviu 22.876 trabalhadores, revelou que sintomas de ansiedade e depressão afetam 47,3% dos trabalhadores de serviços essenciais durante a pandemia de Covid-19, no Brasil e na Espanha.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, no Brasil, 5,8% da população sofre com depressão – uma doença psíquica que, segundo o Ministério da Saúde, pode ocasionar o desencadeamento da síndrome de Bournout. 

IDENTIFICAÇÃO

A identificação da síndrome pode partir dos colegas de profissão ou do próprio setor de Recursos Humanos, que deve prezar, entre outras coisas, pela saúde física e mental dos funcionários. Uma conversa mais profunda e receptiva pode fazer com que o indivíduo se abra, mostrando-se assim a necessidade de um cuidado profissional. 

TRATAMENTO PARA O BURNOUT

O tratamento é simples, basicamente realizado com psicoterapia, sendo preciso ou não a inclusão de medicamentos como antidepressivos e/ou ansiolíticos. As mudanças no trabalho também serão necessárias para que o colaborador se sinta mais confortável, tornando o ambiente mais positivo para o seu desenvolvimento e cura. 

Para quem gosta, exercitar-se é um ótimo complemento, pois libera hormônios essenciais na luta contra a sensação de depressão ocasionada pela doença, além de aliviar o stress e combater os sintomas. Com os cuidados necessários, de três a seis meses o indivíduo mostrará nuances claras de recuperação, sendo que o tratamento pode se estender por mais tempo, a depender de cada caso. 

A Síndrome de Burnout ainda precisa quebrar as barreiras do preconceito, assim como qualquer doença que altere o funcionamento do sistema nervoso. Com informação e acolhimento de pessoas que fazem parte do rol de relacionamento do paciente, é possível construir pontes de auxílio e cura, basta olhar o próximo com empatia. 

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